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Metodologia
Cinco etapas, da medição à decisão operacional
A metodologia aplica-se de forma consistente a qualquer contexto: industrial, agrícola ou doméstico. O que distingue cada projeto são os sensores instalados e os parâmetros definidos em conjunto com a equipa. É esta abordagem estruturada que sustenta, na prática, uma estratégia de indústria 4.0.
Medir
Instalamos sensores sem fios nos pontos que determinam o resultado da operação. A ligação sem fios permite a instalação com a produção em curso, e a maioria dos sensores mantém-se operacional durante anos com uma única pilha.
A primeira visita técnica ao terreno serve para determinar dois fatores críticos: que grandezas determinam o resultado da operação, e se o sinal rádio alcança os pontos onde essas grandezas são medidas. Levamos um gateway e um conjunto de sensores para validar a qualidade da ligação nos pontos relevantes, incluindo caves, salas técnicas e edifícios com estrutura metálica, que representam os cenários mais exigentes.
Selecionamos depois o sensor adequado a cada ponto de medição. Nem sempre é necessário instalar um sensor novo: quando já existe um contador, um autómato ou um variador, integramos a leitura do equipamento existente em vez de duplicar a medição. Esta abordagem reduz o investimento e evita divergências entre duas fontes para a mesma grandeza.
A periodicidade de leitura é definida caso a caso, de acordo com a criticidade de cada ponto. Uma câmara frigorífica requer leituras a cada poucos minutos; o nível de um depósito pode ser lido a cada quinze. Ler com menor frequência prolonga a autonomia da bateria, por isso calibramos a periodicidade ao mínimo necessário para cada aplicação.
Monitorizar
As medições são recebidas pelos nossos servidores e guardadas com a respetiva marca temporal. A partir daí, construímos as vistas de acompanhamento a partir do processo real de cada cliente, e não de um modelo genérico.
Os ecrãs são desenhados a partir do processo específico de cada cliente. Utilizamos a nomenclatura que a equipa já usa para os equipamentos e as unidades com que está habituada a trabalhar. Um painel que exige tradução mental de nomes de código deixa de ser consultado ao fim de duas semanas.
Cada equipa tem a sua própria vista e o seu próprio acesso. Na produção, o que importa é o estado do momento; na manutenção, as tendências das últimas semanas; na direção, o acumulado do mês. É o mesmo histórico, lido de formas diferentes, dentro de um único sistema.
O histórico fica guardado com a marca temporal de cada leitura e pode ser consultado meses depois. É esta capacidade que permite comparar dois turnos ou dois meses sem depender da memória de quem estava presente.
Modelizar
Com algumas semanas de histórico, construímos a referência do que é normal em cada instalação: o consumo esperado para um dado ritmo de produção, a curva habitual de um depósito, a assinatura de um equipamento em bom estado.
Um valor isolado transmite pouca informação. Quarenta graus num depósito podem ser normais a meio da tarde e indicar um problema às seis da manhã. A referência é construída a partir do histórico da própria instalação, e não de valores de catálogo, porque cada unidade tem o seu ritmo, o seu horário e as suas condições ambientais.
A partir desta referência, comparamos cada leitura com o que seria expectável naquele momento. É esta comparação que atribui significado ao número, e que distingue uma variação sazonal normal de um equipamento em degradação.
A modelização exige tempo de maturação. Nas primeiras semanas existe apenas medição e histórico; a referência forma-se à medida que o sistema observa a instalação em condições diferentes. Comunicamos com transparência o que é possível estimar em cada fase, sem prometer previsões antes de existirem dados que as sustentem.
Alertar
Definimos, em conjunto, os limites de cada ponto de medição. Quando um valor sai da banda acordada, o alerta é encaminhado para quem está de serviço nesse momento, com a indicação do ponto em causa.
Os limites são calibrados com quem opera a instalação, e não herdados de valores de fábrica. Um limiar mal calibrado gera um volume excessivo de alertas, e um sistema que alerta para tudo deixa de ser lido. Iniciamos com bandas largas e ajustamo-las com a experiência das primeiras semanas.
O alerta é encaminhado para quem está de serviço nesse momento, por e-mail, SMS ou notificação móvel. O encaminhamento acompanha o turno e a escala de serviço, para que uma ocorrência às três da manhã não aguarde o início do expediente.
Cada alerta fica registado, com a hora de geração e o desfecho registado a seguir. Este histórico permite distinguir uma ocorrência pontual de um problema recorrente, e serve como evidência quando é necessário justificar uma decisão operacional.
Decidir
Com o histórico consolidado, as decisões deixam de depender da memória. Torna-se possível comparar períodos, justificar um investimento e confirmar, posteriormente, se produziu o efeito esperado.
Com meses de histórico acumulado, deixa de ser necessário reconstituir o que aconteceu. Um aumento de consumo tem uma data, uma duração e um equipamento associado, o que reduz significativamente o tempo de diagnóstico e liberta tempo para tratar da causa.
Após uma intervenção, os mesmos dados confirmam se o efeito se manteve. É frequente um consumo descer no mês seguinte a uma alteração e regressar ao valor anterior passado um trimestre, sem que ninguém note a reversão. Com medição contínua, esse regresso torna-se visível no histórico.
Os relatórios são gerados por turno, linha, veículo ou parcela, consoante o contexto, e podem ser exportados para quem prefere trabalhar com os dados de forma independente. Os dados pertencem ao cliente e podem sair do sistema a qualquer momento.
Comece por um ponto de medição
Não é necessário instrumentar toda a operação de uma vez. Um perímetro reduzido é suficiente para validar a cobertura de rede e confirmar o valor dos dados no seu contexto específico.